18 de maio de 2017
Imprensa
CRAS do João Cabral promove roda de conversa para debater segurança pública e direitos da Comunidade LGBT

Na data que antecede o Dia Internacional contra a Homofobia, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do bairro João Cabral, vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho (SEDEST), através do Grupo de gênero do equipamento, discutiu, em roda de conversa, os vários âmbitos da vida social, em que direitos civis são negados à população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgênero. Durante o debate, também entrou como pauta o assassinato da travesti Ketlin, em Juazeiro do Norte, uma realidade que evidencia a urgência da criminalização da LGBTfobia.

O debate foi mediado pela Presidente do Conselho Municipal dos Direitos LGBT e coordenadora do grupo de gênero do CRAS João Cabral, Brenda Vazacj, e contou com a participação do presidente da Comissão de Direitos de Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da subsecção em Juazeiro do Norte, Tiago Callou, Frente de Mulheres Negras do Cariri - Pretas Simoa, Frente de Mulheres de Movimentos do Cariri e instituições de segurança pública, como a Polícia Militar e representantes da Secretaria Municipal de Segurança Pública e Cidadania – SESP e o Grupo de Gênero Poesias e Afetos, do CRAS João Cabral.

Na roda, foi amplamente debatido como as violências ocorridas cotidianamente contra os LGBTs, são, infelizmente, muito mais numerosas do que as que chegam ao conhecimento do poder público e que pequenas atitudes homofóbicas culminam nos assassinatos de pessoas LGBTs, como o homicídio da travesti Ketlin, ocorrido no último domingo, 14, ou mesmo o caso da travesti Dandara, ocorrido há aproximadamente dois meses, em Fortaleza.

Casos de violência

 “Todos os dias são registrados casos de violência contra os LGBTs. Não é errado amar uma pessoa do mesmo sexo, errado é o preconceito que foi construído e é legitimado cotidianamente. Todos os dias nos chegam relatos de abordagens violentas feitas por policiais e guardas apenas por duas pessoas LGBTs estarem de mãos dadas ou demonstrarem carinho. É preciso espaços de formação para desconstruir uma sociedade em que uma travesti não pode andar tranquilamente nas ruas, sem sofrer qualquer tipo de agressão”, afirma a professora de sociologia e integrante do movimento negro do grupo LGBT do Cariri, Dayse Vidal.

Brenda Vlazacj falou sobre os trabalhos que o Grupo de Gênero Poesias e Afetos, vem desenvolvendo na comunidade do João Cabral, com o intuito de desconstruir a visão ignorante sobre as diversidades. Com mais de dois meses de atuação, o grupo tem reivindicado políticas públicas de segurança, que constitui, hoje, uma das principais demandas do movimento LGBT não apenas em Juazeiro do Norte, mas em todo o Brasil. Para a diretora do Conselho, promover essas rodas de conversas é uma maneira de esclarecer e sensibilizar a sociedade de um modo geral e o governo, principalmente no setor de segurança pública. “O debate serve para ajudar a comunidade LGBT a se posicionar e combater as opressões e violências sofridas diariamente, pois o preconceito é um pilar de sustentação para a desigualdade e a exclusão”.

Dia Internacional de Luta por respeito

O Dia Internacional de Luta Contra a Homofobia, 17 de maio, foi definida porque naquele dia, em 1990, ocorreu a exclusão da homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa foi uma importante vitória para o movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros), comemorada por pessoas e ONGs de vários países. Hoje, a população LGBT conquistou direitos, como o uso do nome social e o casamento civil, mas ainda sofre com a violência física e psicológica e, portanto, reivindica a criminalização da homofobia.

Fotos: Hélio Filho


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