A Cidade Romarias

Procissão das Velas

O município de Juazeiro do Norte completou 100 anos de emancipação política, mas as romarias remontam há 120 anos, quando era apenas um vilarejo com poucas casas e uma gente já sob a liderança espiritual do Padre Cícero. Desde que, no dia 1º de março de 1889, aconteceu no povoado um fato fora do comum, curiosos passaram a vir de todos os lugares atraídos pela notícia de que hóstias consagradas estavam se transformando em sangue na boca de uma beata.

A religiosa era Maria de Araújo, sendo que a primeira e várias outras consagrações da hóstia se deu pelas mãos do Padre Cícero. “Quando dei à beata Maria de Araújo a sagrada forma, logo que a depositei em sua boca imediatamente transformou-se em porção de sangue, que uma parte ela engoliu, servindo-lhe de comunhão, e a outra correu pela toalha, caindo algum no chão...”, narrou, na época, o sacerdote que preferiu optar pelo silêncio naquele momento.

Entretanto, quatro meses depois o padre Francisco Monteiro, no púlpito da capela onde o fenômeno ocorreu, precipitou a informação diante de três mil pessoas que vieram de Crato na romaria idealizada e chefiada por ele para adorar os panos tintos de sangue. O anúncio desencadeou a famosa e polêmica questão religiosa de Juazeiro do Norte, que martirizou a vida de Padre Cícero e da Beata, mas foi o embrião das grandes romarias responsáveis pela atração de cerca de 2,5 milhões de fiéis por ano ao município.